Fazia muito tempo que eu não ia à feira de Flores do CEAGESP.
É um programa muito interessante da cidade de São Paulo, primeiro porque acontece de madrugada, depois porque tem natureza em abundância, mesmo cortadas ou em vasos existe um turbilhão de plantas, todo o espectro de cores espalhado em tapetes de flores, suculentas, folhagens, vasos de todo tipo de material existente e incríveis enfeites para casamentos, festas e cultos religiosos.
Lembro quando ia lá acompanhada da Japa, que também como eu, adora plantas, mas, diferente de mim, é muito bonita e causa sensação por onde passa, fazendo os homens transbordarem seus copos de cerveja e enfiarem a cara nos pilares enquanto olham embevecidos para ela. Fazíamos o caminho entre a casa dela, nas cercanias do parque Villa Lobos e o CEAGESP a pé, há vinte anos atrás ainda não existia a cracolândia que agora habita os canteiros centrais da avenida, só alguns mendigos e carregadores de flores descansando. A feira também não era tão radicalmente de madrugada e o caminho era, como diz a cartilha, suave.
No dia seguinte fui ao Instituto Moreira Sales, na Av. Paulista, nada mais urbano e culto, em grande contraste com as flores. Exposições de fotos mostrando a realidade crua mui esteticamente me fizeram pensar em como e porquê destruímos tanto nossas cidades, Rio de Janeiro e São Paulo do começo do século passado lindas e ajardinadas, com seus prédios de arquitetura super eclética cercados de aleias com fontes e monumentos, onde passear deveria ser uma delícia.
Com esses pensamentos de impotência só me restou tomar um café com bolo, voltar pra avenida lotada de gente com pressa correndo como baratas tontas e pegar o metrô com a calma de quem está flanando e notar como o lado esquerdo das escadas rolantes é muito mais desgastado que o direito, onde eu vou, calmamente cada vez mais pro fundo da terra.